Estava um sol escaldante,
O relogio estava marcando umas 6 e meia da tarde,
Mas parecia que o sol não se cansava de fazer uma das mais belas e majestosas cenas da natureza,
Ele rispido e agressivo, o céu tão azul tão puro e as nuvens brancas tão suaves em um belo contraste com o flamejante e ardente protagonista
Ela estava voltando para casa, quando que em alguma esquina desse trajeto tão percorrido, ouviu uma voz suave, porém cansada,
O dia não tinha sido tão bom quanto ela queria,
Poderia muito bem deixar a voz ecoar dentro de si mesma e ir embora, mas a suavidade com a qual foi proferida a fez olhar para a direção em que foi emitida,
-Vai tomar uma cerveja hoje moça!?
Um homem já aparentando uns 50 mas ela sabia que ele tinha no maximo uns 42, talvez 43, carregando vistosos sacos desses de empacotar café na roça, cheios de papeis, latas de alumino, garrafas de refrigertantes, num total de 4.
Ela sabia o destino da mercadoria, conhecia a sociedade covardemente desigual na qual vivia!
-Sim vou sim! E o senhor também vai!
Os olhos meigos daquele homem, que estava tão castigado pelo oque fazia, a encantaram, não sentiu dó dele, sentiu de si mesma, pois ele não estava pedindo nada, apenas disse aquilo, talves para ouvir uma voz responder algo, talves para somente ter alguns segundos de convesa e ela quase o ignorou!
Ela carregava uma "six-pack" que ganhara de uma pessoa muito especial para ela e uma caixa de uvas, talvez com uns 6 cachos, entregou uma cerveja e ele a agradeceu!
-Muito obrigado moça! Que "nossa Senhora" te proteja!
Disse isso com os olhos brilhando, ela que não acreditava nem um pouco na "nossa Senhora" daquele senhor entendeu oque ele quis dizer na crença dela, estava-lhe desejando que o amor, que a verdade, que o respeito , que as bons sentimentos a protejessem!
Retribuiu o desejo reciprocamentente com outras palavras que ele também entendera!
Deu-lhe também um cacho de uvas, sabia o quanto ele precisava vender aquilo que carregava se quissese comer,
Ele agradecera as uvas apertando sua mão toda suja de fuligem , toda calejada e castiga mas ao mesmo tempo com um toque tão suave de bondade!
Um toque que ela nunca esquecerá!
E por fim, ela não conseguiu aguentar, o abraçou fortemente, sabia que este senhor que a pouco conhecera era mais digno de seu abraço de que muitas pessoas que ela conhecia, foi quando ela sentiu um beijo em seu rosto.
Um beijo sem malicia,
Um beijo sem qualquer toque de imoralidade ou coisas parecidas!
Apenas um beijo de bondade e agradecimento, não pela cerveja, não pelas uvas, mas pelo gesto de ter se doado, mesmo que apenas um instante, para conversar com ele!
Um beijo que ela guardou em seu coração!
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